VADIA & CORRETA

Vadia & Correta - Tentando encontrar um desequilíbrio sustentável



Segunda-feira, Junho 12, 2006

Meu querido.

Eu tinha tirado férias, forçadas confesso, há algum tempo.
Tive os rolos que precisava para sustentar os desejos da carne. Mas que apenas por meros instantes conseguiam tirar um pouco do frio da pele.

Meu menino não sabe, mas ele veio, através das mais sinceras orações. Duas vezes.
Depois de duas decepções.

A primeira quando me separava de um namorado com quem viví. Foi num sábado que eu cansei de brigas e tive a final. Aquela na qual eu admiti que havia perdido a mão da coisa. Que tinha me tornado pior, quase dependente e muito, muito infeliz.
Depois de desligar o telefone [minha irmã ouvia tensa meus soluços], eu pedi ao tal Deus, aos astros, ou às energias cósmicas que regem a Terra que me guiassem. Que eu estivesse fazendo o "certo". Que me mandasse alguém especial.

Meses depois veio o meu bem. E eu duvidei desde o primeiro momento que aquele menino, usando o all star surrado e uma camiseta amarelo ovo, anos mais novo que eu, fosse, sequer, me beijar direito.

Beijou, acarinhou, abraçou, me fez sorrir e acariciou mais e melhor que homens feitos há tempos.

Estava apaixonada. E senti que ele também tinha se envolvido.

Mas ele também me decepcionou. E acho que essa dor foi muito pior que a dor da minha separação.


Três anos passaram-se e eu voltava da Bahia, empanturrada de acarajé e de vontade de voltar logo para aquela cidade de trios e de beijos.

O molho zangou de novo.... e com o passar dos anos parece que tombos ficam piores...deve ser o cálcio consumido a menor.

Não foi a decepção de uma paquera à toa que me derrubou dessa vez... mas a falta de crença em dias mais calmos.
Resolvi cuidar de mim. De novo, pedi por mim.

Reencontrei o meu menino, de três anos atrás. Lavei a roupa suja, chorei.
Cheia de medo, estive de novo em seus braços. E deixei que acontecesse de novo. E quis que acontecesse mais.
E quero que continue acontecendo.

E ainda sofro quando fico insegura e me lembro dos espinhos que cortaram e de vez em quando parecem ressurgir no meio das flores.

Mas ele voltou tão...como antes, que nem precisei de script para saber que era nisso que ia dar.

E ele veio... segurando a onda da Correta...dando ombro e salvando gatos. Um herói!
E vem, também, macho que sabe como pegar a Vadia, puxando cabelos e fazendo gemer.

Ele tem vontade de ter alguém e ser feliz, como eu.
Ele não quer reprimir suas vontades, como eu.
Ele fala um dialeto irritante de gente apaixonada, como eu.
Ele tem problemas e contas, como eu.
Ele tem que ter paciência...mais que eu.
Ele tem uma bunda boa e diz que gosta da minha.
Ele tem um jeito de olhar que me derruba.
Ele comete erros, como eu.
Ele topa e sugere programas de índio, que eu adoro.
Ele é quieto e nunca decide o que quer comer, e me deixa irritada.
Mas em horas importantíssimas oferece a mão, os ombros, as pernas...a presença.


Ele precisa de freios, como eu.
Ele precisa aprender a poupar dinheiro, como eu.

Ele precisa ser amado, como eu.

E é com ele que quero sempre viajar.

Feliz dia dos Namorados. Para vocês.
E para nós!

Leia o texto de Artur da Távola - Ter ou não Ter Namorado. Ele deve conhecer meu menino.

postado por: DANIELA DOMINGUES 2:05 PM




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