VADIA & CORRETA

Vadia & Correta - Tentando encontrar um desequilíbrio sustentável



Sexta-feira, Abril 29, 2005

VADIA & CORRETA - Resposta à comentários e e-mails do post anterior.

Quando disse que a minha geração não escapou à Aids, quis dizer que nós já temos que nascer emborrachados.
Infelizmente, se antes as pessoas podiam EVITAR o HIV, hoje temos que CORRER dele.
Quis falar de proporções e das amarras que minha geração teve que aceitar com naturalidade.

Por outro lado, quis também salientar que, se hoje temos informações claras, e temos como FUGIR do vírus, temos de agradecer à pessoas famosas que usaram sua doença e mais ainda, sua notoriedade para lançar os avisos. Cazuza, Betinho, e tantos outros. Isto foi...é muito válido em um país que tem suas crianças criadas em frente às TVs e às revistas de fofocas semanais, ao invés de sendo devidamente orientadas pelos pais ou em bibliotecas.

Mas era para falar de Cazuza e do livro, não de Aids.

postado por: DANIELA DOMINGUES 9:29 AM


Quinta-feira, Abril 28, 2005

VADIA & CORRETA - Só As Mães São Felizes [CAZUZA].

Correta : O Menino Mimado.





Você gosta de criança mimada? Daquela que bate o pé e faz escândalos em público?
Aquela que você tem a certeza a-s-o-l-u-t-a que, já aos seis meses de idade, freqüentava aulas de canto para aprender técnicas de respiração e poder assim, aproveitar melhor cada berro agudo, muito agudo, que solta?


Lucinha Araújo, mãe de Cazuza lançou o livro "Só as mães são felizes", depois da morte de seu filho único, vítima da Aids[?]. Não é uma grande obra de literatura, mas cumpre o objetivo: o da mãe que quer homenagear, e mais, exaltar o filho já morto. Em tudo que conta, é como se justificasse seu mimo e pedisse perdão em público, a ela mesma, pelos erros que toda mãe comete. No caso dela e com sentença emitida por ela mesma: "Foi por amar demais".

O livro termina com trechos de textos de Cazuza [a maioria de entrevistas, se não a totalidade].
Cazuza poderia ser acusado de várias coisas, mas tinha plena noção de todas as suas características, boas ou más.Tinha auto-crítica.

Sabia do seu egoísmo, egocentrismo, da "síndrome do filho único" que fazia com que quisesse tudo do seu jeito, à sua hora [na mesma hora!], só para ele.
Esta última característica, aliás, o principal para deixar os Barões e seguir carreira solo: não queria dividir o palco, os prêmios, as glórias. A luz.

Teve oportunidade de freqüentar os melhores colégios, as melhores rodas [seria realmente isso, se tudo o que é melhor no mundo se comprasse apenas com dinheiro].

Será que os ditados populares que dizem que quem tem tudo [material e amor, no caso], não dá valor?

Cazuza não foi vítima da AIDS. Vítima da AIDS é a minha geração[não tão distante da dele], que não teve como escapar.
Na época de Cazuza, havia como escapar. E quando falo em escapar começo pelo mais simples, como o uso da camisinha.
Tudo bem que era tudo muito novo, que não havia tanta informação sobre o vírus e que a informação que existia, era pouco divulgada e restrita ao círculo de parentes e amigos do soro-positivo.

Aids, acreditava-se, estar ligada sempre à promiscuidade, homossexualismo e drogas.
Mas foi com atos inconseqüentes e com a falta de respeito "ao si mesmo" e a outros que o vírus se espalhou de espantosa, chegando, por exemplo, em recatadas donas-de-casa e gerou milhares de crianças HIV-positivas já do umbigo*.
Se a geração de Cazuza não se acostumou com a camisinha e cuidados de salvamento contra o HIV, para a minha, todos estes cuidados deveriam ser mecânicos, mas ainda não são.
[Só para constar: não gosto de chupar bala com papel. Gosto de oral. Já transei - e me arrisquei - sem camisinha].
E quer coisa melhor do que encontrar um parceiro[a] que seja cúmplice , em quem tenhamos confiança, e fazer de tudo que sonhamos, sem a preocupação?
Se isso já seria bom o suficiente nos dias de hoje, melhor seria ainda poder viver todo o desejado, com um parceiro ou com vários.
Se isto seria chamado de putaria ou não, problema única e exclusivamente daqueles que pagam as contas.

O que me incomdou no livro, é o mesmo que incomodava quando eu estava no colegial. Aquele monte de filhinhos-de-papai que faziam e desfaziam, mandavam e desmandavam [inclusive na diretoria babaca da escola]. As mães peruas falando dos "seus pobres filhinhos".

Me irritou saber que Cazuza, não bebia só por insegurança. Não se atirou às drogas, apenas por insegurança. Não fazia questão de tirar seus companheiros de prisão [nas vezes em que foi "detido"], que não tinham como pagar fiança, só por ser bonzinho. Mas porque desafiava e brincava de "O-dono-da-bola-sou-eu!"

Viajou, conheceu, foi e voltou como quis, SEMPRE. Com a colaboração financeira e conivente, dos pais. [Mas os pais erram, meu Deus? Sabe-se lá qual é o jeito certo? Se limites são certos? Quem sabe qual é a medida certa de tudo? Poder-se-ia dizer que foram coniventes na destruição de Cazuza?]

Cazuza falhou em um teste.
O mundo dos homens pode ser dominado por dinheiro e por meninos mimados. Mas o restante dos seres, da natureza, não se compra, não se domina.
Cazuza sentia o mundo era extensão de sua casa. Tudo era dele, para ele. Por ele. De uma certa maneira, teve sim, essa receptividade vinda do mundo.
Mas nem todas as pessoas eram pais João e mães Lucinha.
E do mundo ele não foi filho único.

VADIA - O Poeta Está Vivo

Por outro lado, poeta. Em poeta, sensível.
Pelas páginas do livro, trechos de textos, de recados aos amigos. Do cartão que escreveu para a sua mãe [que falei um pedaço alí do outro lado, a expressão "do umbigo. Ele dizia, ao final de um bilhete para a mãe "Te amo do umbigo". Não é lindo isso?].
Assumidamente curtia as músicas dor-de-cotovelo. E com elas, dores-de-cotovelo rock'n'roll, deixou os anos 80 [e os 90, e os atuais], mais bonitos.

E se por um lado era mimado, por outro, nunca se escondeu atrás das barras da saia da mãe.
Era autêntico.Língua solta.
Quando quis sair do Barão Vermelho, o fez deixando os amigos, principalmente Frejat ["sua paixão"] chateados. Mas sabendo que era o melhor para os dois. Não usou desculpas, queria o palco sozinho e pronto. A chateação passou e a sinceridade possibilitou o reencontro sem mágoas.
Assumiu o bissexualismo, assumiu as drogas e assumiu ser soropositivo, ao contrário de vários contemporâneos seus [quanta gente boa se foi por conta desse vírus, maldito, como Lucinha o chamou].

Bancando o vírus, abriu portas à discussões. Impactou primeiro o seu público [incluindo muita gente se arriscava tanto quanto ele], mostrando que pode acontecer com alguém próximo, já fez um grande favor.
Além dele, poucos tiveram a audácia de se expor tanto naquela época. Talvez Betinho e Henfil, mas no caso deles, a conotação era outra: "a tragédia dos hemofílicos". Eram vistos com pena, enquanto para Cazuza, muitos "não podia acontecer diferente" sobraram.

Não compartilhava o que era seu, mas acabou partilhando, mesmo sem saber [talvez pensando apenas alimentar seu ego], o melhor que tinha: o dom de falar sobre sentimentos e sobre gente.Compartilhou, principalmente o que alguns chamam de energia [para mim, música é energia que vem em peso].

Cazuza foi Vadio & Correto dos melhores. No final, tudo é meio Yin/Yang mesmo. E todos também.

postado por: DANIELA DOMINGUES 10:07 AM


Segunda-feira, Abril 25, 2005

CORRETA - Distúrbios psicológicos

Um amigo diz que prefere quando escrevo não seguindo o padrão diário. Mas indo contra à preferência dele, hoje vou comentar sobre a tal série "Questão de Peso", apresentada pelo médico Dráuzio Varella, todos os domigos no Fantástico.

Semanas atrás, a "câmera-diário" foi entregue a uma adolescente realmente obesa, para que ela gravasse seus depoimentos e compartilhasse com os telespectadores o sofrimento de ser uma gorda que vive em um mundo com população em sua maioria acima das medidas de passarela, mas que mesmo assim, prefere usar a língua na malhação ao invés dos bíceps, ou tríceps.

O tema de ontem foi anorexia.

Neste último domingo, a lente da câmera focalizava uma garota jovem, bonita...magérrima. A menina que tem nojo da comida, puxa a pele [apenas a pele] da barriga, e entra em desespero...se vê gorda!
E o desespero aumenta, quando já em tratamento, depois de um mês dos olhos familiares sempre vigilantes, engorda 1,2kg [um kilo e duzentos gramas].

Olha-se no espelho, e vê uma gorda. A angústia pelo medo de engordar aumenta, ironicamente, à medida que consegue emagrecer.

Os olhos enganam, o tato encontra pneus inexistentes, os ouvidos apenas ensurdecem aos apelos de quem a ama, o olfato não cheira a desgraça e a boca se fecha aos nutrientes que o organismo precisa para se sustentar.
Mas a mesma boca abre-se aos insultos dirigidos à imagem mirrada do espelho.

Distúrbio de ordem alimentar?

Conheço casos de morte pós cirurgia de redução de estômago.
Overdose de açúcar? Mas como?! Leite condensado não precisa ser mastigado, não entala. Desce direto.
Tenho um amigo que teve que RE-grampear o estômago. Já havia emagrecido muito, mas com muita força E vontade, conseguiu [sei lá eu como!] desfazer o serviço da primeira cirurgia. Teve que fazer tudo de novo.

O que à primeira vista parece mimo, frescura dessas meninas que olham-se e notam-se gordas embora esqueléticas, são apenas pedidos de socorro.
Como enfiar na cabeça das meninas que, através de seus blogs, divulgam o "Movimento Pró ANA" , que estão doentes e levando tantas outras a acharem que o caminho que seguem é correto? [Afinal, no campo da saúde, ao contrário do sentimental, por exemplo, conseguimos minimamente definir o que é ou não correto?]

[As "Anas" são garotas que, pelo mundo - procure no goole e se surpreenderá! - defendem a anorexia como um estilo de vida, não reconhecem-se doentes]

A questão é que, o princípio do tratamento para os distúrbios ditos alimentares, é o tratamento da cuca. E é aí que esbarramos todos, de alguma maneira.
Minha cuca sabe que preciso de exercícios físicos e mudança de hábitos alimentares para emagrecer.
Várias cucas sabem que precisam parar de fumar por conta da saúde.

Se quando a cuca sabe, já admite, é complicado, como fazer quando a cuca simplesmente NÃO entende, não concebe, não enxerga?

postado por: DANIELA DOMINGUES 2:09 PM


Quarta-feira, Abril 20, 2005

VADIA & CORRETA - Desencontros enraizados na terrinha.

Tudo que veio, ou que ainda é, de Portugal me encanta.
Mesmo que a raíz portuguesa, seja um simples nome dado pelos patrícios.

Do fado entoado por Amália, numa cave com bom vinho, ao rock moderno e um tanto melancólicos dos Silence 4.
Ou ainda, atemporal, Madredeus.
Dos versos de Pessoa ao atual, Pedro Paixão.
Do bacalhau com natas aos pastéis de nata.

Sintra ainda me espera. A mim, aos meus amores.A Vila dos namorados.

Parece-me que todos meus amores vingados ou ainda enraizados em Portugal estão fadados ao desencontro.
Como nos fados...
Como nos fados.

Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca

postado por: DANIELA DOMINGUES 1:37 PM


Quinta-feira, Abril 14, 2005

CORRETA - Identificação - Parte I

Como falei aqui, nunca me emocionei verdadeiramente com a morte de ninguém famoso, com exceção de Renato Russo.

Pessoas do mundo choraram a morte do papa porquê? Todos eram cristãos fiéis?
Na verdade cheguei a ler vários jornalistas, cronistas, escritores, gente conhecida de um modo geral, dizendo que se emocionou com a morte do papa, a despeito de suas crenças. Porque acreditavam que ele era um homem bom.... emocionaram-se talvez com a comoção mundial, com o fato de o mundo perder um ícone de bondade, quando deveria mesmo, era perder alguns marginais e políticos [isto foi um pleonasmo?]. Coisa rara isso de gente boa.

O torcedor já vibrou, sofreu, já matou e alguns já morreram por seu time de coração. [Se ele perder, que dor, imenso o crime. Mas se ele ganha, não adianta, não há garganta que não pare de berrar - É uma partida de futebol, Skank].

Os fãs do Star Wars já fazem fila para a compra de ingressos da próxima estréia. Os fãs mais fervorosos do Harry Potter [Eu curto, hein? Bastante, aliás!] quase mataram a autora quando surgiram histórias dizendo que ela pararia de escrever.

Tenho uma amiga que, quando nova, era fã do grupo Roupa Nova. Ela e as 20 mulheres que moravam na casa dela [irmãs, mãe, tia, avó]. E o fanatismo de ir na porta de hotel buscar autógrafo do grupo, até hoje, me dá munição para tirar onda da cara dela.[Ok. Eu também cantei Sapato Velho, confesso!]

E pensei, afinal, porque chorei Renato Russo?
Cabeça do grupo Legião Urbana, ícone maior dos adolescentes da minha geração. Muitas vezes em apresentações se mostrou mal-humorado, destratou o público. Era rebeldezinho. E um doce, como mostrava as suas canções.
Só mesmo depois de sua morte, de vir à tona a doença e o homossexualismo, confirmamos, com os fatos, o que antes apenas sentíamos. Ele procurava seu lugar no mundo e vivia cheio de confusões no "cabeção". Ele era um de nós, um adolescente mais velho.
Chorei Renano Russo porque, naquela altura, eu pensei que nunca mais, ninguém [ninguém mesmo!] conseguiria escrever/falar/cantar tudo o que eu sentia. Daquele jeito, não!
Identificação, era o que me ligava a ele.

Identificação também me faz torcer, hoje, por uma menina.
Desde Janeiro de 2003 ela tem um blog onde conta a sua luta para emagrecer. Fiquei sabendo dela através da revista Corpo-a-Corpo que lí na casa de uma amiga.[Se entrarem no blog dela, poderão acessar a matéria da revista e entender do que falo].
Não é um blog que eu começaria a ler pelo conteúdo. Mas, na semana passada, a primeira vez que entrei lá, me senti como uma torcedora perto do fim do segundo tempo. É como se fosse o meu jogo, a minha canção cantada por várias pessoas, o meu texto ganhando algum prêmio de literatura. É como se fosse eu, conseguindo emagrecer... por isso torço tanto por essa menina, e me comovi, sinceramente, ao ver uma foto atual dela.

postado por: DANIELA DOMINGUES 1:52 PM


Terça-feira, Abril 12, 2005

VADIA - Só a Vadia.

O que você considera uma mulher vadia?
A mulher que sai com vários homens? A que sai com homens comprometidos? A que não faz nada da vida, vive de vadiagem, a boa-vida?

Segundo o Houaiss
VADIA
Acepções
■ substantivo feminino
Regionalismo: Brasil. Uso: informal, pejorativo.
mulher que, sem viver da prostituição, leva vida devassa ou amoral

Eu tenho minha própria definição de vadia. A que guardo para mim e para momentos que ME afetam, que afetam quem eu gosto. Já viu? Quando a coisa é com a gente ou com quem amamos, a história se complica. Nada de definições prontas de dicionário, apenas, as que os sentimentos em ebulição conhecem.

Uma amiga se espantou com o título desse blog: VADIA e correta.
Verdade é que no início, queria mostrar a dualidade. Uma visão mais profunda do "dama na sociedade e puta na cama". Sem explicar, explicando...através do que escrevo. Sem deixar o blog direcionado à um assunto só... sem querer ser sempre correta.Ou sempre ser vadia e ter que postar um poema-erótico-pornô-de-sexo-explícito todo santo dia.

Acredito que uma mulher pode ser tudo, inteira: vadia & dama, bonita & inteligente, batalhadora & delicada, decidida & querer ser mimada, pode dar & querer colo, mãe & amante, esposa & namorada.

Mais do que poder, acho que uma mulher DEVE ser tudo o que quiser. Sem ter medo da punição alheia. Sem sofrer a auto-punição.
E porque é isso que quero para mim. Ser inteira sempre...[sim, me puno e sim, sei que sou sempre julgada].

O Vadia quase sempre está relacionado à carne, às vontades, aos desejos. Ao homem ou à algum momento de tesão [que pode ser ocasionado na leitura de um livro, com a cena de um filme, com uma música que há tempos não ouvia], ou os dois. Porque é assim que afloram em mim.

E sei que sempre haverá uma feminista [do caraiiigo!] para me encher a orelha: Quer dizer que você só será inteira com um homem por perto?

Acho mesmo que devemos ser felizes sozinhos, que nossa felicidade não pode ser responsabilidade do outro...e blá blá blá! Mas falando em vadiagem, em ser amante, em todo o resto...acho que isso se completa com um homem [no meu caso]. Realmente meu despojamento não me faz pensar em casamento e romance eterno apenas com um vibrador. Espero ser entendida aqui.

Devassa & Amoral [com ajuda do dicionário]

Espero pelo tempo em que tudo aquilo que em mim é defeso ou vedado seja despido, conhecido por completo.
Os medos saqueados, que alguém venha e tenha a vista para dentro de mim.
Quando serei o lugar final, daquele que soube bem observar, o que me esqudrinhou.
E quero fazer o mesmo com ele.

Precisaremos de tempo.
Nos neutralizarmos do que nos foi imposto, ensinado.
Reaprender a pecar.
Voltarmos à infância, conhecermos a loucura, talvez.

Vadios, um do outro.

Ouvindo [para contrabalancear] Distractions - Zero 7 ..... [E quem disse que uma canção de amor não pode ser sensual?]
Distractions
Zero 7

Fancy a big house
Some kids and a horse
I can not quite, but nearly
Guarantee, a divorce
I think that I love you
I think that I do
So go on mister, make Miss me Mrs. you.
I love you, I love you, I love you, I do
I only make jokes to distract myself
From the truth, from the truth.
Fancy a fast car
A bag full of loot
I can nearly guarantee
You'll end up with the boot
I love you, I love you, I love you , I do
I only make jokes to distract myself
From the truth, from the truth.
I love you, I love you, I love you , I do
I only make jokes to distract myself
From the truth, from the truth.


postado por: DANIELA DOMINGUES 11:26 AM


Sexta-feira, Abril 08, 2005

VADIA & CORRETA - O PAPA E O TIMÃO

Tenho estado quieta. Tava mesmo sem vontade nenhuma de escrever.
Uma amiga me perguntou porque abandonei isto aqui, e eu falei que andava sem vontade. Ando ainda.
E ontem, falando com um amigo, me lembrei de algo que lí. No livro "Meu país inventado", a autora Isabel Allende fala alguma coisa como: "O autor escreve para se entender, porque não consegue se colocar no mundo real." Sei que a frase está totalmente distorcida em relação à original. Mas eu entendi isso dela. Depois transcrevo direitinho aqui.
Longe de ser autora de livros, sou autora dos meus textos, pelo menos. Bons ou maus. Mas a verdade é que durante muito tempo preferi, mesmo estando nele, me colocar à parte do mundo como ele é. Preferi me compreender sozinha, carregar dores e complexos e não fazer parte da "massa"...fazendo.
Acho que o processod e escrita parou um tempo, e provavelmente vai continuar parado ainda um tempo, não sei, porque eu resolvi entrar em contato com o mundo novamente. Pensar menos e sentir mais. Filosofar menos e viver mais. Ser mais comum, que é tudo que eu quis sempre ser. Mesmo sendo diferente?
Compliquei?

Bem, o texto que posto hoje, veio à mente, acho, por ser totalmente mundano, do ser humano. Espero que gostem!

O Papa e o Timão
Chorei a morte de muitos famosos.
Sou uma legítima pamonha de Minas Gerais [uai!*], e o pessoal das TVs faz questão de editar as imagens com aquelas músicas tristes de fundo.
E eu vejo os fãs chorando, e acabo chorando também e vou dormir com os olhos inchados...sempre. Fiquei realmente emocionada com a morte do Senna, me acabei quando aquela baleia [a baleia acabou ficando famosa, ué!] encalhou em Niterói, e mostraram os esforços das pessoas tentando colocá-la de volta no mar....Enfim, até em comercial de margarina!
Mas foi a morte de Renato Russo, ídolo de todos os adolescentes de minha época, a única que realmente senti. Lembro da minha mãe batendo na porta do meu quarto e dizendo: "Sinto muito. Sei que gostava muito dele".

A questão é que nunca corri atrás de autógrafos, nunca colecionei fotos ou decorei todos os passos da carreira de algum cantor, ator ou escritor que gostasse. E talvez por isso não consiga compreender a comoção que a morte de alguém, que não faz parte da família, que não é amigo próximo, que nem é parente distante, causa em milhões de pessoas. É mais que não entender, é não conseguir sentir igual.

A Morte do Papa

Na quarta-feira de manhã,
antes de pegar o segundo ônibus para ir trabalhar, parei em uma banca para comprar um suco. Ouvi a conversa de um rapaz com o caixa da banca.

- E agora todo mundo chorando a morte desse tal de Papa? Ele é alguma coisa desse povo todo que tá chorando? Ele paga as minhas contas? Ah! Esse povo não tem o que fazer!

Fiquei pensando... nossos pensamentos são diferentes. Cada um chora a morte daquele que quiser, embora eu também veja um certo exagero, e até mesmo certa histeria em algumas das pessoas mostradas nas reportagens de TV que cobrem o funeral do ¿sumo-pontífece¿, como chamam. Mas o sentimento, acaba sendo QUASE o mesmo. Eu fiquei, sim, tocada ao ver todas aquelas pessoas rezando, velando...esperando a confirmação da morte pré-anunciada. Mas também não senti "a perda".

Mas lembrei-me que na casa dos meus pais, na copa, há um quadro com uma foto desse mesmo Papa. Meu tio, já falecido, comprou e deu para os meus pais [que com a velhice ficaram carolas]. Fica na mesma direção, na parede oposta ao quadro que tem uma imagem de Cristo. [Quando eu era adolescente, chegava em casa à noite e passava por essa sala correndo, até o meu quarto. Tenho medo de "imagens"]. Enfim...apenas me emocionei um pouco, não exatamente pela morte do Papa. Mas por lembrar do tio que deu o quadro...que apesar coitado, de ser todo errado, tinha fé... e jeito de criança.

Senti que fiquei um pouco brava com o moço da banca. Minha vontade era ir lá e dizer a ele que a pessoas que choravam aquela morte, as que ele estava criticando, também não pagavam as contas dele. Então, ele que fosse trabalhar e deixasse cada um curtir a dor que quiser!

Ora essa!

O Timão

Na quarta-feira à noite,
eu pegava o metrô para voltar para casa, justo na hora que terminou um jogo do Corinthians contra um tal de Cia Norte [Soube que o segundo time citado, era até poucos dias atrás, desconhecido. Mas derrotou Timão em uma partida. Esta noite, houve a revanche. E os "fiéis gaviões" estavam em polvorosa.] Já na entrada, notei que o esquema de segurança do metrô estava [e muito] reforçado. Por coincidência, nesta noite eu fui tomar o metrô justo na estação mais próxima do estádio onde o jogo aconteceu. Na fila de compra de bilhetes, os gritos de guerra surgiam, e eram logo reprimidos pelos seguranças.Nos bloqueios, revistavam quem entrava, tiravam das bandeiras os bastões de maneira que serviam como hastes.

Na plataforma de acesso aos trens, os seguranças bem tentaram, mas não conseguiram calar aquela multidão de torcedores. Eu pensei em esperar passar o tumulto...pegar um dos próximos trens. E chegava um trem...e ia embora. Chegou outro, e também foi. E eu olhava em direção à escada rolante, e não parava de chegar torcedores. Pensei: "Caramba! Como tem Corinthiano nesse mundo!"

Tive medo sim, de acontecer alguma briga. Quem lê jornal de vez em quando, sabe da violência que existem em meio às torcidas. De repente, me toquei que no meio do mar alvinegro existia uma bóiazinha, isolada, láááá perdida no meio das ondas. E essa bóia, coitada, era verde - cor da camisa do time rival mais odiado pelo "Timão", o Palmeiras.

A bóia era eu! A única elementa sem noção no mundo inteiro, que sai de casa para trabalhar com camisa verde em dia de jogo do Corínthias.

Pessoa errada, na hora errada, no lugar errado, com a roupa errada: EU!

Mesmo com medo, não pude deixar de sentir um arrepio [só sentido antes quando fui ao show do Eric Clapton e vi aquele monte de gente cantando junto as mesmas músicas...isso é uma delícia!] ao ver aquela gente toda, de todo estilo, gente grande, pequena, preta, branca, com a camisa do time esfarrapada ou novinha-em-folha, todos, fazendo os gritos-de-guerra ecoarem pela estação.

Já dentro do vagão, quase chegando em casa, restaram poucos torcerdores sem desembarcar. Um único ainda não havia sido vencido pelo cansaço e cantava em louvor do seu time. Curiosa, olhei para trás.

Era o sujeito que eu tinha visto, de manhã, na banca de jornal, criticando as pessoas que choravam a morte do Papa que nunca pagou as suas contas.

*Pamonha mineira, que me desculpem os Piracicabanos [Piracicabenses?], é bem melhor que as de Piracicaba!!! Tem doce, tem salgada, tem com e sem queijo de Minnnsss. Isso que vendem nesses carros aqui em São Paulo, definitivamente, não é o mais puro creme do milho, fiquem sabendo!

postado por: DANIELA DOMINGUES 10:40 AM




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