Vadia & Correta - Tentando encontrar um desequilíbrio sustentável
Segunda-feira, Junho 28, 2004
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CORRETA - Conto escrito a quatro mãos, a duas impressões.
Irritou-me o apelido que me colocou.
Quando me dá nome de glória em um conto, na verdade, quer me chamar fracassada.
Irrita-me muito que esteja escrevendo minha história sob a tua ótica, com as tuas palavras.
Palavras que não vieram quando eu queria ouví-las, quando queria lê-las.
As tuas palavras, que para mim não foram escritas quando eu tanto esperava, e que agora vêm.
E agora não acredito.
Mexem sim comigo.
Em alguma hora, te reservei este direito, o de mexer comigo.
E como te negar isto agora?
Não é de bom tom tomar de volta presentes que demos à alguém.
Se tem dúvidas, não vou te poupar com falsa modéstia.
Dei-me como presente, e um ótimo presente. Valor maior do que merecia.
Fui a boneca de louça rara que alguém não conseguiu guardar até que a criança mimada tivesse mais idade e soubesse cuidar ao invés de simplesmente jogar no chão. Tive o rosto e as mãozinhas delicadas estraçalhadas.
E olha, bonecas de louça intocáveis, vindas de becos de refugiados de guerra, por mais valiosas e raras, também gostam de brincar.
Belo é sempre o trabalho da super-cola a cada caco que resolve me devolver.
Mas, nunca mais, perfeito.
Presente.
Me pousou no criado mudo e durante bom tempo fui o mudo criado.
Irrita-me que na hora que posso eu escrever linhas para o teu conto, o nosso conto, não consiga fazê-lo com desapego.
É o que eu deveria te propor. Desapego.
Mas espera, que a história vai continuar. Sempre com a minha ajuda. Sempre.
postado por: DANIELA DOMINGUES 12:21 PM
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Quarta-feira, Junho 16, 2004
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VADIA - Com neóns piscando na testa.
Vou fingir que passo aqui todo dia.
Não. Vai perceber.
Vou simular um tombo:
-Ui! Meu tornozelo!
-Dói muito?
-Ai, como dói! Tenho medo...
-Mas não foi só o tornozelo?
-Foi sim, segura a minha mão... tudo está ficando escuro...
-Calma moça! Calma! Vou chamar o resgate..
-Resgate?! Não!!
Acho que ele vai rir do exagero.
Vai me achar fresca. Tática errada.
Farei amizade com o porteiro do prédio onde ele trabalha. Com o faxineiro também.
Vou virar motogirl e fazer serviços de entrega gratuitamente para todos lá da empresa.
Vou saber horários e estar aqui na porta, por acaso.
Sim. Por acaso.
Vou aprender a fumar para ter que vir fumar aqui embaixo.
E ele vai me notar. Uma hora vai.
E se ele me notar?
Melhor deixar isso quieto.
Ele não vai me notar.
Mas e se notar?
Ah! Passa! Passa aqui no armazém. Aqui tem de tudo, tem.
Vem meu bem, no meu armazém.
Tem sentimento quentinho pra você, tem.
Daí vou mudar a música.
Por enquanto vou continuar cantando esta .
Só que no meu ritmo.
Armazém - Ana Carolina
Se precisar de alguma coisa
Vai lá no meu armazém.
Tem de tudo, quase tudo tem
No meu armazém
Tem de tudo, quase tudo
Tem rodo, tem barbante
Tem farinha, pedra-pomes
Pendredô, passadô, escorredô
Esmalte vermelho
E tem até couro pra pandeiro
Mas tudo é embrulhado
Num papel fuleiro
Se precisar de alguma coisa
Vai lá no meu armazém
Tem de tudo, quase tudo tem
Mas se você não vem
A saudade é longa dobro minha manga
A saudade é tanta te vendo uma fanta
A saudade é dura vendo também miniatura
A saudade não passa
Só não vendo de graça
A saudade me cala não tem trocado leva bala
A saudade é um bocado paro de vender fiado
A saudade é uma bocado paro de vender fiado
Se precisar de alguma coisa
Vai lá no meu armazém
Tem de tudo, quase tudo tem
postado por: DANIELA DOMINGUES 3:54 PM
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Segunda-feira, Junho 14, 2004
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CORRETA - O dia das DESNAMORADAS
Primeiro, não postei nada para o dia dos namorados, porque tava revoltada. Assumo.
Mas hoje quero falar das desnamoradas e da nossa [sim...sou uma delas] falta de paciência, acho que até esperança de vez em quando.
Antigamente aquela ansiedade de saber se o cara te queria ou não era mais que normal.
As pessoas, antes de mais nada, se conheciam.
Conheciam procedência [famílias, amigos, escolas, etc]. Conheciam conhecidos.
E quando digo antigamente, não é tãoooo antigamente assim.
Na minha adolescência a disseminação do "ficar" já era grande, mas mesmo assim, pude me apaixonar uma ou outra vez por garotos que eu bem conhecia, que eram do meu convívio. E apesar de sofrer igualzinho com as expectativas do que podia ou não acontecer, havia mais paciência.
[Mentira! Adolescentes sofrem com muito, muito mais intensidade!]
Acho que é isso: até para a ansiedade havia mais tempo, mais espaço. Mais tolerância.
Éramos analisados.
[Logicamente que a análise de um adolescente é muito diferente da de pessoas mais velhas, mas mesmo assim, ainda acho que antes tínhamos mais "material" sobre as pessoas. Não porque eram mais acessíveis, mas porque nos permitíamos conhecer mais e sermos conhecidos.]
Como as relações se tornaram muito superficiais, como ficou instituído que o bom é beijar na boca mesmo [Ou será que isso é coisa do passado e a onda agora é namorar pelado? Arrrgh... me desculpemmm!!!], sair e "pegar um monte", as pessoas acabaram perdendo a mão de como SENTIMENTOS realmente acontecem. Mesmo aqueles que nunca usaram da prática do oba-oba.
Sentimentos ACONTECEM. É só isso. ACONTECEM. Podem ser despertados, conquistados. Nunca, nunca, CRIADOS.
Noto em mim e em minhas amigas também [acho que a idade também conta né?] uma vontade de decidir tudo para ontem. Conhecer o cara JÁ, beijar AGORA, chegar em casa e poder escrever na agenda/diário ESTOU NAMORANDO [isso é sentido figurado!].
E mais, poder espalhar isso para as amigas.
Se demorar um dia para ligar, enfiar um revólver na cabeça do sujeito e saber qual é a dele afinal.
Antes, conversávamos, conversávamos, conversávamos, e antes do beijo acontecer, éramos pedidas em namoro.
Pronto. NAMORO. Estava definido, e mesmo que durasse apenas uma semana, o rótulo tava garantido. Não precisávamos nos punir com pensamentos do tipo "me deixei ser usada" [mesmo quando queremos ser].
Se há culpa nessa solidão em massa [parece que queixar-se de solidão é um privilégio feminino], nós, as meninas, contribuímos para isso, quando entramos na onda do quero-mais-é-beijar-muito [já que hoje é assim mesmo, não é?].
É bom sim, mas para a maioria das mulheres, não tenho medo de afirmar, nunca foi o suficiente.
Homens e mulheres nunca foram, nunca sentiram de maneira igual.
Queremos, ainda, o meninote que nos manda bilhetinhos ou recados através dos amigos, que nos olha todo santo dia na hora do recreio ou lá no clube. A conquista feita aos poucos. Desde que venha DEFINIDO: "SIM, SOU O HOMEM QUE VAI TE LEVAR PARA O ALTAR".
Não ficamos apenas mais exigentes, ficamos mais histéricas mesmo.
Na impossibilidade de encontrarmos homens mais "sérios" [odeio esse termo], homens à moda antiga [esse também], tentamos nos tornar mulheres moderninhas que "se divertem com os errados enquanto os certos não aparecem".
Mulhers modernas com desejos e vontades totalmente contraditórios.
Nos ensinaram a tomar pílula, a nos vestirmos de maneira sexy.
Nos ofereceram mais vigor e beleza com cremes rejuvenescedores, botox , lipoaspiração e plásticas em até 12 vezes sem juros.
Nossas antecessoras batalharam tanto que conseguiram melhores postos de trabalho. Liberdade de escolhermos nossos parceiros. De sermos solteiras se assim quisermos. De colocarmos a carreira como primeiro plano.
Mas não nos ensinaram a lidar com o período curto de frio na barriga.
Isso[o frio na barriga] durava semanas: antes, durante e depois.
Aparecia a cada vez que encontrávamos o menino [para as moças de interior, ali, no domindo, na volta da pracinha depois da igreja].
Aparecia cada vez que recebíamos o papel de bala com um nó frouxo, que deveria ser entregue desatado, demonstrando que queríamos também o beijo.
Durava o primeiro beijo. O segundo. O primeiro encontro depois do primeiro beijo [será que ele vai querer de novo?].
Durava o primeiro passeio orgulhoso de mãos dadas.
Durava o tempo suficiente para escrevermos tudo em nossos diários repletos de tinta colorida e corações recortados... numa página o Tom Cruise, na outra, uma foto 3x4 dele.
Durava depois. Durava a primeira briga. Durava a confusão de nos preocuparmos se deveríamos beijar outro logo em seguida. Durava o tempo exato para não ficarmos "faladas".
Sim. Já não somos mais adolescentes. Mas antes, durava o tempo de paixões. Não de alvos.
Hoje, dura só o tempo para cairmos na real que o cara da "baladinha" de ontem, mal se lembra do nosso nome. E se formos pensar, nem nós sabemos exatamente porque estávamos ali.
E é assim, até entendermos que podemos sim, vivermos nossa liberdade sexual. Nos conhecermos. Usarmos do que nossas avós e tias conquistaram para nós. Mas que isso não nos levou os outros sonhos, que ainda estão embutidos. É genético.
postado por: DANIELA DOMINGUES 5:59 PM
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Terça-feira, Junho 08, 2004
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VADIA & CORRETA - Banhos de Ebó [ será que é assim que escreve?]
- Madame Darah, a Sra. Pode ler a minha mão, por favor?
- Não preciso, querida. Seus olhos já me disseram tudo. É coração, não é?
-...
- Me dê sua mão direita. Vejo aqui que hoje, sim hoje, dia 05.06.2004, sua vida vai mudar... espere! Vejo aqui uma linha muito forte cruzando a sua linha da vida, que cruza também a do amor.
- Como assim Madame? Algo cortando minha linha da vida? Vou morrer???
- Não, é como se fosse uma intervenção muito forte, olhe só. Ela vem em zigue-zague. Nossa!! Que incrível!!!!
- O que foi Madame? O que foi?!?!?!
- Veja, se pegarmos uma lupa tenho a impressão que podemos ver várias datas.... e engraçado, a partir desde ponto... segue apenas a linha da vida. Essa linha já cruzou antes, em 2002, em 2001....
- E o que isso significa?
A palma da mão coçou, lembrou da cigana e sua leitura, à qual não prestou muita atenção.
Sentiu forte presença de amigos, família e pessoas estranhas. Linhas que faziam cócegas.
A moça se vestiu bela. Colocou sua ansiedade ao lado, não em cima dela.
Levou um pouco de medo, porque é natural.
Deixou a festa acontecer, sem se preocupar com o que pensariam, com o que ela pensaria.
Apenas sentiu e viveu.
A linha do amor foi se tornando mais forte.
A do dinheiro, fazia voltinhas leves. Estava sendo usado, não usando.
Se houve linha do medo, se agarrou a algum balão e voou.
A festa terminou.
Lá na frente, a "interferência" faria mais alguns zigue-zagues, mas se tornaria cada vez mais suave até se fundir com a mais importante.
Interferindo a seu favor, sua linha da vida seguindo seu rumo: direto e profundo.
Dedicado ao pessoal da festa à fantasia no sábado passado.
Beijos especiais à Cigana Darah com sua amiga Emília.
Especiais mais ainda à Rumbeira que, não à toa, fala que tem um clã e não clientes: Naldo, o arco-íris em pessoa.
Gente que fez opção por ser feliz. Mesmo sabendo que seria muito complicado e difícil.
E faz nossas linhas da vida ficarem mais tortinhas de tanto que rimos!
COM GENTE ASSIM NO MUNDO, QUEM É QUE PRECISA DO TAL BANHO DE EBÓ?
Ah!!! Dedicado também à moça que tem usado do seu poder de interferência, para viver como tem direito.
postado por: DANIELA DOMINGUES 4:59 PM
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Quinta-feira, Junho 03, 2004
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CORRETA - Sobre educação.
VOCÊ TEM que ler a coluna de hoje da Maria Helena no Epinion.
Fala de educação, ou da falta dela.
***
VADIA - Olhares penetrantes no metrô
Ficou feliz quando notou que havia uma vaga para fazer sua viagem sentada.
Abriu seu livro e começou a ler, assim, parecia que chegava ao seu destino mais rapidamente.
No meio da viagem um rapaz alto, terno alinhado e bem passado [E sem aliança nas mãos! IUPI!!!], moreno e usando um corte de cabelo moderninho entrou e ficou de pé, junto a uma das portas.
Foi o perfume dele que a distraiu.
Seus olhares se cruzaram e ela teve a sensação de que tinha ficado uns dois minutos secando o moço.
Tentou desviar o olhar, se concentrar no livro. Nada. Quanto mais se controlava, mais se pegava olhando para ele.
À medida que passavam pelas estações, o vagão ia se esvaziando.
Sentiu suas bochechas corarem quando ele sorriu para ela.
Ela desceria apenas uma estação antes da final. Quando o maquinista [Maquinista? Maquinista é de trem! Vou usar operador...], ou melhor, o operador anunciava a próxima estação, ela apenas rezava baixinho para que ele descesse.
Vagou um lugar ao lado do seu.
Não! Não faz isso Deus! Por favor, não! Aiiii... Ai! Ai, que vou desabar! [Isso era o que ela pensava].
- A Srta. vai se sentar? - perguntou o rapaz à uma adolescente que estava de pé em frente ao assento vago.
- Não, pode se sentar. Descerei no próximo.
- Muito obrigado!
Eu quero morrer! Eu quero morrer! Ai que vergonha! [Eu não, ela. Isso era o que ela pensava!]
Ele se virou tranqüilamente e sorriu novamente.
Ela acenou com a cabeça. [Estava vermelha. Um pimentão!]
As pessoas que estavam perto foram saindo uma a uma. Ficaram praticamente a sós.
- Oi!
- Humm... oi!
- Eu notei que você também estava me olhando!
- ...
[Risinhos constrangidos entram aqui.]
- É tímida, é?
- É, devo ser...
[Ele estende a mão. Ela, reticente, o cumprimenta e tira a mão correndo da dele. Queria sumir.]
- Não precisa ter medo. Eu gostei de você, pelo jeito você também gostou de mim. Que tal me dizer qual o seu nome?
- Ah... é... acho que você está enganado.
- Não precisa ter medo, estamos em público!
- Não, realmente acho que você me interpretou mal.
- Deixa disso... eu ia apenas te chamar para tomar um café, mas antes preciso saber seu nome, não acha?
- Não, realmente você está enganado!
- Ah... bem, então me desculpe. Pensei que você também estava me olhando.
- É. Eu estava sim.
- Mas então? Que mal há? Ah! Você deve ser comprometida. Bem, se for, me desculpe. Não tive a intenção de ser indelicado.
- Não, não sou comprometida. É que, não sei como dizer...
- Diz... eu adorei que você tivesse me olhado tanto
[Risinhos peraltinhas entram aqui].
- Bem. Vou dizer. É que tem uma caca no seu nariz!
- Nossa... nossa.... [Gargalhava, mas era puro nervosismo, vergonha...]
Levantou do banco, desajeitado. Desceu uma estação antes da dela, nem disse tchau.
Ela saiu correndo atrás!
- Espera! Espera que agora acho que mereço mais que o café!
postado por: DANIELA DOMINGUES 11:19 AM
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Terça-feira, Junho 01, 2004
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VADIA & CORRETA - Nossa natureza geminiana.
No último dia 30 de Maio completei 29 anos.
Os primeiros pés-de-galinha que surgem no meu rosto [que me fizeram ceder, finalmente, à indústria cosmética - e confesso que espero muito, muito mesmo do Renew®] disputam espaço com alguns cravos e espinhas que insistem em denunciar [usando os lugares mais visíveis e os mais esdrúxulos também] o meu espírito eternamente adolescente.
Para O Mr. Gaudz e o Ricz, que perguntaram nos comments como foi a data, respondo que a S comemoraçõe S que começaram no almoço de sexta-feira passada [regado à vinho e boa comida, pagos pelo meu chefe], passaram pelo bar no sábado [com amigos e conhecidos que amanheceram o domingo comigo], no domingo à tarde [com parabéns-a-mim com duas tortas Miss Daisy e velinhas com meus dois sobrinhos caçulas me ajudando a apagá-las], que continuarão hoje aqui no escritório [porque acabei de saber que minha chefe quis deixar o bolo para hoje porque achou que era muita comida para um dia só na sexta] e terminarão mais tarde em um happy hour [com um pessoal com quem trabalhei há um tempo atrás] estão sendo MUITO boas.
A única coisa é que tenho duas impressões:
1ª: Que ao invés de ter passado de 28 para 29 anos, passei de 28 para uns 37 com tanto parabéns e velinhas.
2ª: Que eu devo morrer esse ano ainda, porque nunca tanta gente comemorou meu aniversário e eu sou uma mineira desconfiada.
[As duas hipóteses me incomodam um pouquinho, mas confesso que a primeira incomoda mais.]
Eu não queria e não quero fazer disso aqui um diário, mas quero compartilhar uma impressão que tive a respeito da noite de sábado no bar: eu tinha lá pelo menos uma pessoa que representava cada fase da minha vida, da adolescência até os dias de hoje. Menos alguém que tenha compartilhado da minha infância. E notei que não precisava, porque a criança ansiosa para que os convidados chegassem, que cantou o parabéns anunciado pelo vocalista da banda que tocava, era eu.
As últimas semanas tão duras e tão arrastadas deram espaço para um final de semana leve.
Meus sentimentos e pensamentos tão conturbados desaceleraram um pouco para eu poder saborear esses dias.
Mas ainda fica o espírito adolescente, sempre em conflito.
[Meu problema é pensar demais, sabe?]
Penso na minha idade já um pouco avançada para quem quer ser moleca sempre, para quem quer arriscar mais.
E tão infantil para quem já sente medo de tanta coisa, e sente que vai acabar desistindo de tantas outras.
Os presentes?
Quando eu era criança havia uma crença entre meus colegas: devíamos colocar os papéis dos embrulhos embaixo da cama para que ganhássemos mais presentes.
Os presentes que ganhei tinham, todos, a minha cara. Eu gosto de dar presentes, e de receber também!
Pena que os beijos, abraços de todos e as bênçãos dos meus pais não tivessem embrulho!
Os telefonemas carinhosos também não vieram embrulhados.
Queria todos de novo, dos meus pais até aquele que durou quase duas horas com alguém com quem eu imaginava que nunca conseguiria conversar.
Comemorações diferentes. Pessoas presentes totalmente diferentes umas das outras.
E vejo que tenho sorte de ter essa minha natureza geminiana que me possibilita ter em volta tanta gente diferente [em todos os aspectos], saber mantê-las, e aproveitá-las independente do que possam ser ou ter.
Não é à toa que penso tanto e me perco em racionalidade quando deveria apenas sentir.
Aos 29 anos nem tudo que eu quis me foi apresentado, mas a variedade do que chegou é suficiente para eu saber que nunca devo me contentar com menos que o meu máximo. E nunca com o mínimo dos outros. Porque são todos enormes.
postado por: DANIELA DOMINGUES 4:48 PM
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