VADIA - Toda Vadia pode ser também Correta
O que as mulheres querem?
[Primeiro post com título e subtítulo, em resposta a
Mr. Gaudz e ao
Doutor]
- Alô?
[Ela atende com aquela voz melosa, lânguida]
- Oi... tava ansiosa esperando você ligar.
[Aquela voz que toda mulher, pelo menos um dia na vida, já ouviu: voz de cafajeste]
- Está gostosinha hoje, hein?
- Passei aquele creme no corpo, aquele que tem o cheiro que você gosta.
- Hum... a única coisa ruim é o gosto. Tou com vontade de passar minha língua pelo teu corpo todo.
- Ah...E eu quero ver se essa língua vai dar conta de mim, todinha... quero ficar babada de você!
- Safada!
- Você gosta?
- Adoro, adoro você safada! Minha vida sem você... trabalho, filhos, rotina.... Preciso te ver hoje!
- Mas hoje? Não vai dar certo! Sei que seus horários hoje são apertados.
- Dou um jeito. Saio uns minutos mais cedo... mas preciso, preciso te ver, te tocar.
Ai... só de pensar já fico com tesão. Você não tem idéia de como ele está!
- Sua língua nem está aqui e eu já estou molhada.
- Daquele jeito que eu gosto?
- Muito molhada!
- Ai....Vamos dar um jeito. Me encontra lá no nosso canto às 18:30?
- Mas hoje não é dia de você pegar os filhos na escola?
- Dou um jeito, chamo uma baby sitter dessas de última hora. Você consegue algum número aí?
- Não, nunca precisei usar esse serviço... [rindo]
- Me ajuda, quero muito te ver. Saudade do teu corpo...
- Vão acabar desconfiando.
- Eles que desconfiem! Não abro mão de fazer amor...não! De fazer sexo... Não! De trepar muito, muito com você hoje!
- Vou preparar uma surpresa...
- Isso, gostosa! Passa lá na nossa loja... fala com o companheiro lá, traz uns brinquedinhos, depois passo lá e pago.
- Uns brinquedinhos é?
- É sim! E o gel, aquele de eucalipto.
- Nossa! Tá animado!
- Você não viu nada! Também vou levar minha surpresa!
- Hum.....Hoje você sai todo arranhado!
- Ai, gata...pára que tá me deixando louco. Às 18:30 lá então?
- OK. Mas e o porteiro? Ele pode dar com a língua nos dentes.
- Dou um incentivo para ele. Ele vai ficar quieto.
- 18:30h.
Encontraram-se no quarto só deles. Os apartamentos vizinhos, silenciosos, prestavam atenção aos detalhes.
Lambuzaram-se, arranharam-se,
fizeram de todos os jeitos.
Ela uivou de prazer, como há muito não fazia. Ele delirou quando ela colocou a fantasia de colegial.
Subiram no teto, dependuraram-se no lustre. Ela estava exausta, mas queria mais.
Ele esmagou o corpo dela, usando o seu, de frente para a parede branca. No seu ouvido, o dela, sussurrou baixarias enquanto puxava seus cabelos. Ela ria, entregue.
Vadia, cem por cento.
Exaustos, caíram na cama.
- Quero te ter mais vezes...
- Só depende de você.
- Você sabe que não é assim. As coisas não são assim tão fáceis.
- Eu compreendo.
- Compreende?
- Sim, quando me meti nisso com você, já sabia o que me esperava.
- Ah... você não existe!
- Existo sim, estou aqui!
- Da próxima vez, eu que vou realizar as suas... Hoje você arrasou, minha colegial!
- Tá dizendo que...
- Você ainda tem vontade?
- Ai, que vergonha! Mas sim, tenho!
- Vou providenciar o chicote então.
- Eu te amo.
- Você sabe, eu também.
Enroscados um no outro, acordaram do cochilo com o barulho da porta.
- Ahhh Não! Conheço essas vozes!
- E agora?
- Agora vão descobrir que os enganamos.
- Tem de haver um jeito.
- Vão querer detalhes! Nunca mais vamos poder fugir do expediente mais cedo. Vão ficar nos vigiando! Já sinto saudades!
- Calma. Vou arrumar uma desculpa para eles. Digo que você estava doente e...
- São espertos demais.
- Entra debaixo do chuveiro, vai tomando um banho...
Quando ele chegou na sala, a baby sitter contratada explicava, nervosa, que as crianças começaram a berrar no carro quando ela propôs mais uma volta no shopping.
As crianças, por sua vez, quando viram o pai e perceberam que ele estava em casa havia muito tempo e que não tinha ido buscá-las no colégio, desconfiaram. Correram, invadiram a suíte e ficaram de queixo caído quando a viram no banheiro.
- Traidores! Descarados! Como puderam ter coragem?
- Tenham calma, nós...
- Calma uma ova! A gente pensando que o papai estava numa reunião importante, e vocês aqui...que nojo! [o menino era o que mais berrava]
Ela olhou exausta para o amante na porta do quarto. Ele sorriu, parecendo não ouvir os gritos indignados dos filhos.
Ela acabou de se vestir. A cabeça zunia com as vozes do casal infantil.
Ele pagou a baby sitter, não queria que ela presenciasse as discussões.
A baby sitter saiu da casa pisando forte. Já tinha visto homem canalha nesse mundo, mas esse! Trazendo a amante para o quarto da esposa!
Ele ignorou os berros, entrou debaixo do chuveiro e a deixou tentando acalmar as feras.
Quando saiu, ela já tinha controlado tudo. As crianças tinham se trancado em seu quarto.
- Como me deixa sozinha, falando com eles?
- Senti ciúmes...
- Mas são seus filhos!
- Senti ciúmes.
- Bem, acho que foi a última vez...
- Não diga isso. Como vou agüentar?
- Vamos ter que procurar outra maneira de termos tempo para nós.
- E eu ainda vou ter que dar um jeito de contornar o trauma deles. Ah... minha safada, minha gosto...
- Para de falar assim, eles podem ouvir.
A menina saiu do quarto, com a cara emburrada:
- Tenho prova de matemática amanhã. Se não for interromper, preciso que alguém estude comigo.
A mãe, carinhosa, foi para a cozinha e preparou um lanche para a família. Os filhos ainda tinham a cara emburrada.
Ela ria sozinha, tentando adivinhar o pensamento que morava na cabecinha das crianças [Minha mãe! Meu Deus! Onde esse mundo vai parar?].
Limpou a mesa depois da refeição, chamou a filha e foi estudar matemática.
O marido, encostado na porta da cozinha olhava aquela mulher. Via a mãe paciente, que tinha desenvolvido uma capacidade única de suportar berros e reclamações. Ele a admirava...
Mas pensava mesmo era em ter dinheiro e mandar as crianças para a Disney, e imaginar a cara dela quando ele mostrasse o chicote.
postado por: DANIELA DOMINGUES 11:14 AM